GNR registou 30 denúncias no primeiro semestre e prejuízos já ultrapassam 72 mil euros
As burlas associadas a “falsos acidentes” estão a aumentar em Portugal, com os condutores com mais de 60 anos a serem identificados pela Guarda Nacional Republicana (GNR) como um dos principais grupos visados pelos burlões.
Só nos primeiros seis meses de 2026, este tipo de crime provocou 72.540 euros de prejuízo às vítimas, um valor que já se aproxima do total registado durante todo o ano de 2025, quando os danos ascenderam a 77.480 euros.
A GNR contabilizou 30 denúncias entre janeiro e junho, mais 15,4% do que os 26 casos registados no mesmo período do ano passado.
Burlões simulam acidentes e exigem dinheiro
O esquema passa pela simulação de colisões que nunca aconteceram. Os suspeitos abordam os condutores e convencem-nos de que estiveram envolvidos num acidente, procurando obter pagamentos imediatos para supostamente compensar os danos.
Em alguns casos, a burla vai mais longe, com os criminosos a tentar obter acesso a cartões bancários, códigos e contas das vítimas.
A GNR alerta para uma crescente sofisticação destes métodos e revela que, num dos casos registados este ano, o prejuízo provocado atingiu 15.450 euros.
Segundo a Guarda, o aumento do valor das perdas está relacionado precisamente com a utilização de novos métodos de extorsão e com a possibilidade de acesso direto ao dinheiro das vítimas.
Maiores de 60 anos são alvo preferencial
A escolha de pessoas com mais de 60 anos não é, segundo a GNR, aleatória.
“A escolha deliberada de condutores com mais de 60 anos constitui uma estratégia central dos burlões”, alerta a força de segurança.
Os suspeitos procuram explorar fatores como a vulnerabilidade emocional, o receio de enfrentar problemas legais e uma menor familiaridade com determinados métodos de pagamento eletrónico.
A GNR considera ainda que este grupo é particularmente apetecível para os burlões por poder dispor de maior capacidade financeira imediata.
Faro lidera número de ocorrências
Entre os distritos com maior número de denúncias, Faro surge na liderança, com seis ocorrências registadas desde o início do ano.
Seguem-se os distritos de Lisboa, Porto, Viseu e Beja, que também apresentam uma incidência relevante deste fenómeno.
A GNR estima que o impacto financeiro deste tipo de criminalidade em 2026 ultrapasse largamente o valor registado no ano passado, caso a tendência se mantenha durante os próximos meses.
As autoridades deixam, por isso, um alerta aos condutores para que mantenham a calma perante uma alegada colisão, evitem efetuar pagamentos imediatos e contactem as forças de segurança sempre que existam dúvidas sobre a veracidade da situação.


































