Negociações preliminares na Malásia apontam para suspensão de tarifas e retoma de compras de soja; críticos dizem que Washington reivindica crédito por solução de problemas que Trump provocou com guerra
Negociações preliminares na Malásia apontam para suspensão de tarifas e retoma de compras de soja; críticos dizem que Washington reivindica crédito por solução de problemas que Trump provocou com guerra comercial.
Desenvolvimento:
Os Estados Unidos e a China chegaram a um acordo preliminar nas vésperas do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, marcado para quinta-feira na Coreia do Sul, mas analistas alertam que o entendimento visa fundamentalmente reverter uma escalada tarifária iniciada pelo próprio presidente americano. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que Pequim concordou em adiar por um ano novas restrições às exportações de terras raras e retomar compras “substanciais” de soja americana, enquanto Washington suspende a tarifa adicional de 100% prevista para 1 de novembro.
Críticos sublinham que a China interrompeu as compras de soja em retaliação às tarifas impostas por Trump em abril, e que o sistema de licenciamento de terras raras foi ampliado como resposta às sucessivas restrições tecnológicas norte-americanas, ou seja, o acordo restaura em grande medida o status quo anterior à última guerra comercial. Paul Triolo, da consultoria DGA-Albright Stonebridge Group, classificou a estratégia de Trump como “escalada para desacelerar”, afirmando tratar-se de uma “estratégia perdedora” que tem prejudicado empresas de ambos os lados.
A reunião de quinta-feira será a primeira bilateral entre Trump e Xi desde 2019 e deverá abordar também o futuro do TikTok, cooperação no combate ao fentanil e Taiwan, num contexto em que ambos os países trocaram tarifas punitivas nos últimos meses. O encontro ocorre à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), em Gyeongju, e surge após meses de tensões que resultaram em tarifas de 145% sobre produtos chineses e 125% sobre produtos norte-americanos, parcialmente reduzidas numa trégua que expira a 10 de novembro.
Especialistas apontam que a durabilidade do acordo é incerta, dado o histórico de ambos os lados alegarem violações de compromissos anteriores, incluindo o acordo comercial do primeiro mandato de Trump que previa 200 mil milhões de dólares em compras chinesas até 2021, valor nunca alcançado. Evan Medeiros, da Universidade de Georgetown, classificou a situação de “inerentemente instável”, alertando que ambos acreditam estar em vantagem e que o outro precisa mais deles, criando uma dinâmica “muito, muito perigosa”.

































