D. Andrés Carrascosa Coso presidiu à celebração da Morte do Senhor e apelou à vivência do amor e da reconciliação
O núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, presidiu à celebração da Morte do Senhor na Sé Primaz de Braga, onde desafiou os fiéis a integrarem o perdão como uma das grandes “pérolas” do cristianismo.
Perante uma catedral completamente cheia, o representante da Santa Sé estabeleceu um paralelismo entre a Paixão de Cristo e o sofrimento humano, lembrando que todos enfrentam momentos de dor, como doenças, perdas ou traições.
Perdão como caminho de transformação
Na sua reflexão, o núncio apelou à transformação das dificuldades em gestos de amor e reconciliação, à semelhança de Jesus.
“Devemos transformar essas situações em pérolas”, afirmou, alertando para o risco de respostas baseadas no ódio, na ira ou na vingança.
Segundo destacou, Cristo deu o exemplo ao responder ao sofrimento com perdão, amor e entrega, convidando os cristãos a superarem o ressentimento e a frustração.
Maria como fonte de consolo
O celebrante sublinhou também a importância de acolher Virgem Maria na vida pessoal, à semelhança do apóstolo João, considerando que essa relação pode trazer consolo nos momentos de maior sofrimento.
Inspirando-se numa tradição da sua terra natal, Cuenca, sugeriu aos fiéis que expressem simbolicamente os seus pêsames a Maria durante a Sexta-feira Santa, como forma de aprofundar a vivência espiritual.
Apelo a viver a fé no quotidiano
Na sua primeira Semana Santa em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso destacou ainda a centralidade da Eucaristia, desafiando os fiéis a levarem o exemplo de Cristo para o mundo.
“Temos de ser Eucaristia para um mundo que não acredita”, afirmou, sublinhando a importância de começar esse testemunho no seio da família.
Celebração marcada pelo recolhimento
A celebração da Morte do Senhor, evocando o momento da morte de Jesus no Calvário, decorreu num ambiente de profundo silêncio e recolhimento, culminando com a adoração da cruz, prolongada pela participação massiva dos fiéis.
Após a celebração, realizou-se a tradicional Procissão Teofórica do Enterro do Senhor, um dos momentos mais simbólicos da Semana Santa bracarense.
Tradição secular mantém-se viva
Durante a procissão, a imagem de Cristo morto foi colocada num esquife e transportada pela catedral até uma das capelas, num ritual carregado de simbolismo.
O cortejo contou com a participação de membros da Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém, do clero e de irmandades locais, preservando uma tradição com raízes medievais, associada aos ritos da “depositio”, introduzidos em Braga no século XVI.
No final, o núncio manifestou gratidão pela experiência, afirmando partir “muito feliz” e destacando a vitalidade da arquidiocese de Braga como uma comunidade viva e marcante no panorama religioso nacional.
































