José Luís Carneiro acusa Governo de falhar resposta social na saúde e exige maior apoio aos idosos

José Luís Carneiro

Líder do PS defende articulação entre Saúde e Segurança Social para evitar internamentos prolongados e critica falta de prioridade política do Executivo

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusou este sábado o Governo de não estar a dar prioridade à resposta social na área da saúde, alertando para a situação de centenas de idosos que permanecem internados em hospitais por falta de apoio familiar ou de estruturas de acolhimento adequadas.

Durante uma visita ao Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, em Penafiel, o líder socialista defendeu uma intervenção mais determinada do Estado para resolver um problema que considera estrutural e que continua a afetar o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde.

“O Estado tem de assumir a responsabilidade”

José Luís Carneiro sublinhou que a solução passa por uma maior articulação entre os ministérios responsáveis pela Saúde e pela Segurança Social, defendendo que o Estado deve liderar o processo e garantir financiamento adequado às instituições que prestam apoio social.

Segundo o dirigente socialista, é fundamental reforçar a cooperação com as misericórdias e instituições particulares de solidariedade social, criando respostas que permitam retirar dos hospitais pessoas que já não necessitam de cuidados clínicos, mas que não dispõem de alternativas familiares ou sociais.

“O Estado tem de assumir a responsabilidade de garantir uma resposta de retaguarda”, afirmou.

Idosos permanecem anos internados por falta de respostas

Uma das principais preocupações transmitidas à direção do PS durante a visita prende-se com a ocupação prolongada de camas hospitalares por utentes sem condições para regressar a casa.

De acordo com os dados apresentados pela administração da unidade hospitalar, cerca de 60 camas permanecem diariamente ocupadas por pessoas que continuam internadas apenas por ausência de apoio familiar ou social.

José Luís Carneiro alertou que existem casos de idosos que permanecem um, dois ou até três anos nos hospitais, situação que considera prejudicial tanto para os utentes como para a capacidade de resposta das unidades de saúde.

Governo acusado de não considerar o problema prioritário

Questionado sobre a atuação do Executivo liderado por Luís Montenegro, o secretário-geral do PS afirmou que, se esta matéria fosse verdadeiramente prioritária, já estariam em curso soluções concretas.

“Se fosse uma prioridade, estaria a ser resolvida”, declarou, acrescentando que, nos últimos dois anos, não identificou sinais de que o Governo esteja a encarar esta questão como um dos principais desafios da saúde pública.

PS apresenta alternativa para o setor da saúde

Apesar das críticas, José Luís Carneiro procurou centrar a sua intervenção na apresentação de propostas alternativas para o setor.

O líder socialista defendeu uma estratégia baseada no reforço dos cuidados de saúde primários, na valorização das unidades locais de saúde, na criação de mais centros de responsabilidade integrada e numa maior autonomia administrativa e financeira das administrações hospitalares.

Entre as medidas propostas, destacou igualmente a necessidade de melhorar a coordenação entre os serviços de saúde e a Segurança Social, de forma a assegurar respostas mais eficazes para os cidadãos em situação de maior vulnerabilidade.

Investimento e falta de profissionais preocupam hospital

Durante a visita ao Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, José Luís Carneiro alertou ainda para a necessidade de concretizar o investimento previsto de cerca de 200 milhões de euros naquela unidade de saúde.

O responsável socialista referiu igualmente que o hospital enfrenta uma carência significativa de recursos humanos, estimando-se a falta de aproximadamente 150 enfermeiros para responder às necessidades atuais da população abrangida.

Atualmente, a unidade hospitalar serve cerca de meio milhão de habitantes da região do Tâmega e Sousa.

Críticas à ministra da Saúde

Na reta final da visita, José Luís Carneiro deixou ainda críticas indiretas à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, defendendo que os responsáveis políticos devem assumir plenamente as suas responsabilidades perante os problemas existentes no setor.

“O pior que pode acontecer a um responsável político é não assumir as suas responsabilidades e querer atribuí-las a outros”, afirmou.

O dirigente socialista aproveitou igualmente para elogiar o trabalho desenvolvido por Fernando Araújo, numa altura em que o debate sobre o futuro do Serviço Nacional de Saúde continua a marcar a agenda política nacional.

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