Praça D. João I permanecia tranquila à meia-noite, sem presença policial visível. Protesto continua após a intervenção da PSP que, segundo a polícia, provocou 33 feridos e 31 detenções em Lisboa e no Porto.
Mais de 200 pessoas permaneciam na noite de domingo na Praça D. João I, no Porto, onde decorre desde 10 de outubro uma acampada pelo direito à habitação. À meia-noite, o ambiente era calmo, com os participantes distribuídos por pequenos grupos de conversa, depois de uma assembleia popular que encheu o espaço.
Não era visível a presença de forças policiais no local. Mantinha-se em funcionamento uma banca de comida, identificada como cantina popular, enquanto alguns cartazes contestavam as políticas de habitação e a atuação da PSP durante os confrontos da madrugada anterior.
Protesto continua após intervenção policial
A permanência dos manifestantes acontece depois de a PSP ter dispersado, na madrugada de domingo, os protestos pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto. A intervenção incluiu o uso de bastões e cães policiais, após mais de duas horas de tensão e de ordens para abandonar os locais e retirar as tendas.
Os manifestantes recusaram cumprir as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, as operações nas duas cidades resultaram em 33 feridos e 31 detenções por desobediência. As organizações ligadas às acampadas também denunciaram a existência de dezenas de feridos.
Habitação pública e rendas acessíveis entre as reivindicações
Os participantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, medidas para travar a aquisição de casas por fundos imobiliários e o reforço da habitação pública.
Entre as reivindicações estão ainda a recuperação de imóveis devolutos para habitação e a criação de limites às rendas que sejam verdadeiramente acessíveis.
A intervenção policial motivou reações políticas divergentes. Os partidos de esquerda criticaram a atuação da PSP e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, além da intervenção do Presidente da República, António José Seguro. Por sua vez, o PSD e o Chega defenderam a atuação das forças de segurança.



































