Jonathan Andic abandona temporariamente cargos de direção e garante inocência nas suspeitas relacionadas com a morte de Isak Andic
Jonathan Andic, filho do fundador da Mango, anunciou o afastamento temporário dos cargos que ocupava na administração da empresa, numa altura em que continua a ser investigado pelas autoridades espanholas no âmbito da morte do pai, Isak Andic.
A decisão foi comunicada através de uma carta aberta enviada aos meios de comunicação social espanhóis, na qual Jonathan Andic afirma pretender dedicar-se integralmente à sua defesa judicial, reiterando que é inocente das acusações que recaem sobre si.
«Acusação injusta e infundada»
Na mensagem divulgada esta terça-feira, Jonathan Andic descreve a suspeita de homicídio como uma acusação sem fundamento e recorda a relação mantida com o pai ao longo da vida.
O empresário refere que ambos partilharam inúmeros momentos felizes e recordações marcantes, admitindo igualmente a existência de períodos mais difíceis no contexto familiar, que, segundo afirma, foram ultrapassados com esforço, diálogo e apoio mútuo.
Ao justificar a sua saída temporária dos órgãos de gestão da empresa, sublinha tratar-se de uma decisão tomada com tristeza, mas que considera ser a mais adequada para proteger a organização e permitir que concentre todas as energias no processo judicial.
Administração da Mango manifesta apoio
O presidente executivo da Mango, Toni Ruiz, dirigiu uma comunicação interna aos colaboradores da empresa expressando apoio a Jonathan Andic.
Segundo a mensagem, o conselho de administração da empresa partilha uma posição unânime de respeito, compreensão e confiança relativamente ao empresário, acreditando que o processo judicial poderá ter uma resolução favorável.
A administração procurou também transmitir estabilidade aos trabalhadores, destacando que a empresa atravessa atualmente um dos períodos mais positivos da sua história.
Investigação centra-se na morte de Isak Andic
A investigação está relacionada com a morte de Isak Andic, ocorrida em dezembro de 2024 na zona montanhosa de Montserrat, nas proximidades de Barcelona.
Na ocasião, o fundador da Mango, então com 71 anos, encontrava-se numa caminhada acompanhado pelo filho. Segundo a versão apresentada por Jonathan Andic, o empresário terá escorregado num trilho e caído por uma encosta com mais de 100 metros de altura.
Contudo, as autoridades da Catalunha decidiram aprofundar a investigação e passaram a analisar o caso como um eventual homicídio, identificando Jonathan Andic como suspeito.
Empresário pagou fiança de um milhão de euros
Jonathan Andic foi detido pelas autoridades espanholas a 19 de maio de 2026 e posteriormente presente a uma juíza em Barcelona.
Após o interrogatório judicial, foi libertado mediante o pagamento de uma caução de um milhão de euros, evitando assim a prisão preventiva.
Como medidas de coação, ficou sujeito à entrega do passaporte, proibido de abandonar Espanha e obrigado a apresentar-se semanalmente perante as autoridades.
Família mantém confiança na inocência
A família Andic tem vindo a defender publicamente a inocência de Jonathan. Num comunicado divulgado recentemente, os familiares afirmaram acreditar que não existem provas legítimas que sustentem as suspeitas formuladas pelas autoridades.
A posição da família mantém-se alinhada com a estratégia de defesa apresentada pelo empresário, que continua a negar qualquer envolvimento na morte do pai.
Mango mantém crescimento e liderança internacional
Apesar da polémica judicial, a Mango procura preservar a estabilidade da sua atividade empresarial. A multinacional espanhola continua a ser controlada maioritariamente pela família Andic, que detém cerca de 95% do capital social.
Fundada em 1984 por Isak Andic e pelo irmão Nahman Andic, a empresa transformou-se numa das maiores cadeias internacionais de moda, contando atualmente com aproximadamente 3.000 lojas, presença em mais de 120 países e mais de 18 mil trabalhadores.
Segundo os resultados divulgados pela empresa, a Mango registou em 2025 receitas de 3,8 mil milhões de euros e lucros de 242 milhões de euros, consolidando um dos melhores desempenhos financeiros da sua história.
Enquanto a investigação prossegue em Espanha, Jonathan Andic afasta-se temporariamente da liderança da empresa fundada pelo pai, aguardando os próximos desenvolvimentos de um processo que continua a gerar enorme atenção mediática e empresarial.



































