João Rodrigues defende que o espaço público «é de todos» e anuncia início da fiscalização pela EUB nas zonas onde já é controlado o estacionamento pago. Município reforça também Polícia Municipal com novos meios e reboques
Braga entra numa nova fase na gestão do espaço público. Esta terça-feira termina o prazo definido para a retirada das trotinetas partilhadas das ruas da cidade e começa, em simultâneo, a fiscalização do estacionamento abusivo pela EUB nas zonas onde esta entidade já fiscaliza o pagamento do estacionamento.
As duas decisões são apresentadas pelo presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, como medidas distintas, mas assentes num mesmo princípio: garantir que o espaço público pode ser utilizado por todos de forma adequada.
«O espaço público é de todos e tem de funcionar para todos», defende o autarca.
Trotinetas partilhadas deixam as ruas de Braga
O modelo de trotinetas partilhadas que estava em funcionamento em Braga chega ao fim. Segundo João Rodrigues, a decisão resulta da avaliação feita pelo município à forma como estes equipamentos estavam a ser utilizados na cidade.
O presidente da Câmara considera que o modelo existente não estava a funcionar de forma adequada, apontando a presença de trotinetas espalhadas pelos passeios e a criação de obstáculos à circulação pedonal.
«O modelo de trotinetas partilhadas que tínhamos em Braga não funcionava», afirma João Rodrigues.
Na perspetiva do autarca, as situações verificadas acabavam por afetar particularmente quem circula a pé, nomeadamente pessoas com mobilidade reduzida.
«Havia equipamentos espalhados pelos passeios, obstáculos à circulação e situações que prejudicavam sobretudo quem anda a pé», acrescenta.
Perante este cenário, o município decidiu suspender o modelo de trotinetas partilhadas existente na cidade.

Fiscalização ao estacionamento abusivo começa hoje
A outra medida anunciada pelo presidente da Câmara entra também em vigor esta terça-feira.
A EUB passa a fiscalizar situações de estacionamento abusivo nas zonas onde já assegura a fiscalização do pagamento do estacionamento.
A medida pretende combater comportamentos que condicionem a circulação e ocupem indevidamente áreas destinadas à utilização de todos.
João Rodrigues estabelece uma relação direta entre as duas decisões: se o município exige regras aos operadores e utilizadores de trotinetas, deve igualmente atuar perante veículos automóveis estacionados de forma irregular.
«Seria incoerente exigir regras às trotinetas e fechar os olhos aos carros mal estacionados», sustenta.
«Um carro em cima de um passeio também ocupa abusivamente o espaço»
Na publicação, o autarca dá vários exemplos de situações que passam a estar abrangidas pela fiscalização.
Um automóvel estacionado em cima de um passeio, numa passadeira ou numa paragem de autocarro pode condicionar a circulação de peões e transportes públicos.
O mesmo acontece quando um veículo impede a passagem de uma cadeira de rodas.
«Um carro em cima de um passeio, numa passadeira, numa paragem de autocarro ou a impedir a passagem de uma cadeira de rodas também ocupa abusivamente o espaço que é de todos», afirma João Rodrigues.
A fiscalização pretende, assim, garantir que diferentes modos de utilização da cidade possam coexistir sem que um deles prejudique os restantes.
Polícia Municipal vai ter novos meios
O município está também a reforçar os meios disponíveis para tornar a fiscalização mais eficaz.
João Rodrigues revela que a Polícia Municipal será equipada com novos recursos, incluindo reboques, que permitirão atuar perante situações de estacionamento abusivo de forma mais rápida e efetiva.
O reforço surge num momento em que a autarquia pretende intensificar a atuação sobre comportamentos que condicionem a utilização do espaço público.
«Isto não é uma guerra contra carros nem contra trotinetas»
João Rodrigues rejeita, contudo, que as medidas representem uma ação contra qualquer meio de transporte em particular.
O presidente da Câmara sublinha que o objetivo não passa por criar um conflito entre automobilistas, utilizadores de trotinetas, peões ou utilizadores de transportes públicos.
«Isto não é uma guerra contra carros nem contra trotinetas», afirma.
A regra que o autarca pretende aplicar é, segundo o próprio, simples: nenhum veículo deve ocupar o espaço público de forma a prejudicar os restantes utilizadores.
«Nenhum veículo tem o direito de tornar a cidade pior para os outros», defende.
«Braga tem de funcionar melhor»
A intervenção enquadra-se numa visão mais ampla para a mobilidade e utilização do espaço público em Braga.
João Rodrigues defende uma cidade capaz de responder às necessidades dos diferentes utilizadores, sem privilegiar exclusivamente um determinado modo de transporte.
«Braga tem de funcionar melhor», afirma o presidente da Câmara.
O autarca enumera os diferentes utilizadores que devem ser considerados nas políticas de mobilidade: quem conduz, quem utiliza os transportes públicos, quem circula de bicicleta e quem se desloca a pé.
E deixa uma prioridade clara: «Sobretudo para quem anda a pé».
Com o fim do modelo de trotinetas partilhadas e o início da fiscalização do estacionamento abusivo, a Câmara Municipal de Braga procura, assim, reforçar o controlo sobre a utilização do espaço público e garantir que passeios, passadeiras, paragens e zonas de circulação permanecem disponíveis para quem delas necessita.






























