Estocolmo quer limitar o uso de ferramentas de Inteligência Artificial a plataformas avaliadas e aprovadas pelas autoridades. O objetivo é proteger informação sensível do Estado e reduzir os riscos associados ao tratamento de dados por serviços externos.

O Governo da Suécia proibiu os seus funcionários de utilizar ferramentas de Inteligência Artificial como o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic, no exercício das suas funções, devido a preocupações relacionadas com a segurança da informação.

A decisão não representa uma proibição generalizada da Inteligência Artificial na Administração Pública sueca. De acordo com a informação divulgada, os trabalhadores continuam a poder recorrer a plataformas que tenham sido avaliadas, reguladas e aprovadas para utilização institucional, como determinadas soluções do Microsoft Copilot.

Governo teme exposição de informação sensível

A principal preocupação das autoridades suecas prende-se com a possibilidade de informação confidencial introduzida nestas ferramentas ficar acessível às empresas responsáveis pelos serviços ou ser tratada de formas incompatíveis com os requisitos de segurança do Estado.

Segundo o TechRadar, uma análise realizada pelo Governo sueco no início de 2026 identificou riscos associados à utilização de ferramentas de Inteligência Artificial não aprovadas no tratamento de informação sensível.

Mikael Wettercrantz, diretor de Digitalização, alertou para as possíveis «consequências para a segurança de informação da Suécia» decorrentes da utilização de plataformas que não tenham sido devidamente avaliadas.

A medida abrange também a chinesa DeepSeek, igualmente excluída da utilização pelos funcionários públicos.

Não significa que todas estas ferramentas sejam inseguras

A decisão sueca evidencia a distinção entre utilizar ferramentas de IA para tarefas genéricas e recorrer a estes sistemas para tratar informação governamental sensível.

Os riscos dependem, entre outros fatores, das condições contratuais, das políticas de retenção de dados, dos mecanismos de controlo de acesso, da localização e do tratamento da informação e das garantias de segurança disponibilizadas por cada serviço.

Por esse motivo, a autorização de uma plataforma para uso institucional não significa necessariamente que todas as suas versões ou funcionalidades possam ser utilizadas com qualquer tipo de informação.

A abordagem sueca privilegia, assim, a avaliação prévia e a aprovação das ferramentas antes da sua utilização no contexto governamental.

Debate sobre os limites da Inteligência Artificial

A decisão surge numa altura em que governos e empresas procuram definir regras para a utilização da Inteligência Artificial, conciliando os ganhos de produtividade com a proteção de dados e a segurança dos sistemas.

O caso da Suécia reforça uma questão central para as organizações públicas e privadas: que informação pode ser introduzida num assistente de IA e em que condições?

A resposta depende das políticas de segurança de cada entidade e das garantias oferecidas pelas plataformas utilizadas. Até existir uma autorização expressa, a informação confidencial, os dados pessoais sensíveis e os documentos internos restritos não devem ser introduzidos em ferramentas de IA não aprovadas pela organização.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here