Motorista leva idosa de 90 anos ao colo após hospital recusar cadeira de rodas

Mulher tinha uma consulta de ortopedia no Hospital de Cascais e não conseguia deslocar-se pelos próprios meios.

O motorista tentou utilizar uma cadeira de rodas disponível na unidade, mas acabou impedido e decidiu transportar a utente ao colo para que não perdesse a consulta

Um motorista de TVDE levou ao colo uma mulher de 90 anos até uma consulta no Hospital de Cascais, depois de ter sido impedido de utilizar uma cadeira de rodas da unidade hospitalar para transportar a idosa.

O caso, ocorrido nas últimas semanas, está a gerar forte indignação e a ser amplamente partilhado nas redes sociais, depois de terem sido divulgadas imagens que mostram o momento em que o motorista ajuda a utente a chegar ao interior do hospital.

A mulher tinha uma consulta de ortopedia agendada na sequência de uma fratura do colo do fémur e apresentava dificuldades de mobilidade.

Motorista tentou utilizar cadeira de rodas

De acordo com as imagens divulgadas pelo Correio da Manhã, o motorista, identificado como Thiago Silva, chegou ao Hospital de Cascais com a idosa no veículo e saiu para procurar uma cadeira de rodas que lhe permitisse transportá-la até à área das consultas.

No entanto, quando tentou retirar a mulher do automóvel, foi abordado por uma funcionária da unidade hospitalar.

Segundo o relato divulgado, a funcionária terá informado o motorista de que a cadeira de rodas disponível na zona das Urgências não poderia ser utilizada para transportar a utente até à área das consultas.

Nas imagens são visíveis várias cadeiras de rodas disponíveis no local.

O motorista terá explicado que o percurso demoraria apenas alguns minutos e insistido na necessidade de ajudar a mulher, mas acabou impedido de utilizar o equipamento.

Levou a mulher ao colo para que não perdesse a consulta

Perante a situação, Thiago Silva decidiu transportar a idosa ao colo até à zona onde teria de realizar a consulta.

O motorista, de nacionalidade brasileira e residente em Portugal com a mulher e os filhos, optou por ajudar a utente apesar das dificuldades e da impossibilidade de utilizar uma cadeira de rodas.

Já no interior da unidade hospitalar, o motorista terá sido advertido por funcionários de que aquela não seria a forma adequada de transportar uma doente.

Posteriormente, foi-lhe transmitido que os serviços iriam disponibilizar uma cadeira de rodas para a mulher, o que acabou por acontecer mais tarde.

Hospital diz apenas que cumpre os procedimentos

O caso motivou críticas nas redes sociais e levantou questões sobre as condições de acessibilidade e o apoio prestado a utentes com mobilidade reduzida.

O Notícias ao Minuto tentou obter esclarecimentos junto do Hospital de Cascais, mas, até ao momento, não recebeu resposta.

Questionada pelo Correio da Manhã, a unidade hospitalar limitou-se a afirmar que “cumpre os procedimentos definidos”.

Gesto de solidariedade tornou-se viral

A situação ganhou especial dimensão nas redes sociais depois de João da Silva, orador motivacional e escritor, partilhar o episódio no Instagram.

A publicação rapidamente reuniu milhares de reações e centenas de comentários, com muitos internautas a elogiar a atitude do motorista.

“Estamos no verão mas, em alguns momentos, parece-me que a condição humana atravessa um inverno profundo”, escreveu João da Silva na publicação.

A mulher de Thiago Silva também reagiu publicamente, manifestando orgulho na atitude do marido e revelando que o próprio motorista se encontra a recuperar de uma lesão no pé.

Segundo a mensagem publicada, Thiago está há cerca de três meses em recuperação, depois de ter sido submetido a uma intervenção que implicou a colocação de placas e pinos.

“Não pensou, apenas agiu”, escreveu a mulher, elogiando a decisão do marido de ajudar a idosa.

“Muito obrigado pelo apoio e carinho”

O próprio motorista agradeceu as inúmeras mensagens de apoio que recebeu depois da divulgação das imagens.

“Muito obrigado. Estou imensamente agradecido pelo apoio e carinho”, afirmou Thiago Silva.

O episódio acabou por transformar um simples serviço de transporte numa demonstração de solidariedade, colocando novamente em debate a forma como são asseguradas as condições de acessibilidade e de apoio a pessoas idosas ou com mobilidade reduzida nas unidades de saúde.

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