Sindicato alerta para a falta de climatização nas escolas e teme impactos no desempenho dos alunos durante a próxima semana, marcada por temperaturas extremas em grande parte do país.
A previsão de uma intensa onda de calor para os próximos dias levou o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (SPLIU) a pedir ao Ministério da Educação o adiamento de alguns exames nacionais, alegando que muitas escolas não dispõem de condições adequadas para a realização das provas.
A principal preocupação centra-se nos exames que têm maior peso no acesso ao ensino superior, sobretudo numa semana em que os termómetros poderão ultrapassar os 40 graus em várias regiões do país.
Sindicato alerta para falta de condições nas escolas
O presidente do SPLIU, António Carlos Ramos, considera que milhares de alunos poderão ser obrigados a realizar exames em salas sem qualquer sistema de climatização.
Segundo o dirigente sindical, o calor extremo poderá comprometer a capacidade de concentração e o desempenho dos estudantes, especialmente em provas decisivas para o seu futuro académico.
“Não haverá capacidade de concentração face a este calor extremo para os alunos prestarem as suas provas em condições adequadas”, defendeu.
Exame de Matemática gera maior preocupação
A situação assume especial relevância porque o exame nacional de Matemática está agendado para terça-feira, precisamente num dos dias em que as previsões meteorológicas apontam para temperaturas mais elevadas.
Trata-se de uma das provas mais importantes para milhares de candidatos ao ensino superior, sendo exigida para o acesso a diversos cursos nas áreas das engenharias, ciências, economia e tecnologias.
Escolas sem climatização
O sindicato afirma que a maioria dos estabelecimentos de ensino portugueses continua sem sistemas adequados de climatização.
De acordo com António Carlos Ramos, muitas salas de aula tornam-se praticamente impraticáveis durante episódios de calor intenso.
“A maior parte das salas não tem ar condicionado nem qualquer sistema de climatização”, sublinhou.
Interior e sul do país em situação mais crítica
As maiores preocupações concentram-se nos distritos onde se prevê maior intensidade da onda de calor.
Entre as regiões mais vulneráveis estão:
- Castelo Branco;
- Portalegre;
- Santarém;
- Évora;
- Beja.
Nestas zonas, as temperaturas poderão atingir ou ultrapassar os 40 graus durante vários dias consecutivos.
Receio de novos casos de indisposição
O SPLIU recorda que no verão passado foram registados episódios de mal-estar e desmaios em contexto escolar devido às elevadas temperaturas.
O sindicato teme que situações semelhantes possam repetir-se durante a próxima semana, afetando alunos, professores e funcionários.
“Já no ano passado tivemos pessoas a desfalecer nesta altura do ano e esperamos que não se volte a repetir”, alertou o responsável sindical.
Pedido de intervenção dos municípios
Além do apelo dirigido ao Ministério da Educação, o sindicato pretende reunir com a Associação Nacional de Municípios Portugueses para sensibilizar as autarquias para a necessidade de melhorar as condições térmicas das escolas.
Entre as medidas defendidas estão:
- Instalação de sistemas de ar condicionado;
- Criação de soluções de sombreamento;
- Reforço da ventilação dos edifícios escolares;
- Planos de mitigação para períodos de calor extremo.
Calor afeta toda a comunidade escolar
O sindicato lembra que o problema não envolve apenas os alunos que realizam exames nacionais.
Milhares de crianças do pré-escolar e do 1.º ciclo continuam em atividade letiva, enquanto professores e assistentes operacionais permanecem diariamente nas escolas.
Com a chegada de uma das primeiras grandes ondas de calor do verão de 2026, aumenta agora a pressão sobre o Ministério da Educação para avaliar eventuais medidas excecionais que garantam condições adequadas para a realização das provas nacionais.

































